Entrevistas

Entrevista – Dr. William Douglas

Postado em 24 de outubro de 2011

Central de Cursos – Em fevereiro deste ano, o governo lançou uma medida provisória vetando a realização de concursos públicos federais, bem como a nomeação de aprovados. O porquê dessa medida e quais desdobramentos ela traz para quem pretende realizar concursos?

William Douglas – Redigi alguns artigos sobre isso. Em um deles, O que é a lei se o major não quiser?, falo especificamente sobre casos nos quais a suspensão dos concursos não está sendo uma medida apenas preocupante, mas também arbitrária e danosa para o bom andamento da máquina pública, como por exemplo, é o caso do BACEN e do INSS.

Segundo a MP, os concursos estariam suspensos para que fosse reequilibrado o orçamento federal, sendo normal que haja uma breve interrupção nos concursos para a administração federal quando da troca de governos, especialmente quando mudam as legendas, fato que, no Brasil, quer dizer modificar totalmente o planejamento de governo; mas a suspensão total dos concursos na esfera federal por prazo indeterminado, ou pelo extenso prazo de um ano, não é admissível. A suspensão se torna ainda mais reprovável quando também atinge a nomeação de candidatos já aprovados. É entendimento do STF e do STJ, que uma vez as vagas oferecidas, propostas em edital, elas devem ser providas, pois configura-se uma promessa do Estado para cada um dos candidatos que pagou por suas inscrições e se submeteu ao certame.

Não quero me estender muito, mas o que venho falando para os concurseiros desde que a notícia veio a público é que continuam havendo concursos em outras esferas da administração (municipal, estadual e das estatais) e que aquele que se mantiver na fila, aquele que se mantiver estudando e não esmorecer frente a esse desmando, vai conquistar sua vaga quando os concursos forem restabelecidos. Os desdobramentos são um maior desgaste emocional, especialmente para aqueles que foram aprovados e tiveram suas posses suspensas, mas prevejo muitos mandados de segurança contornando esse fato.

O resultado do PIB foi divulgado, o que comprovou que estamos arrecadando mais, o mínimo foi reajustado, o governo lançou mais uma fase do Bolsa Família, o Programa Brasil sem Miséria; estas não são provas da estabilidade do orçamento? Não seria a hora de retomar os concursos? Parece-me que sim.

CC – Há necessidade de preocupação por parte das pessoas que prestam concursos públicos?

WD – As pessoas focadas em sua preparação não precisam se preocupar. Claro que é desestimulante saber que seu sonho foi adiado por mais algum tempo e que isso não partiu de uma decisão sua, mas, como disse, quem se mantiver estudando e se preparando com a mesma seriedade e afinco de antes vai alcançar a vaga.

Os servidores continuam se aposentando, mudando de cargo etc., pedindo vacância, criando a demanda por novos funcionários e, por conseguinte, novos concursos. Além disso, temos o aumento da população e também o crescimento econômico, que aumentam a necessidade de mais servidores públicos.

CC – Medidas como esta já foram adotadas no Brasil?

WD – É normal que com a troca de governo ocorra a interrupção de concursos, para “arrumar a casa”. No governo Fernando Henrique houve um congelamento de concursos, aliás, ao longo dos oito anos de governo FHC poucos concursos foram realizados, situação que mudou com o governo Lula, por isso também o estranhamento com a atitude tomada por um governo de continuidade.

CC – Segundo a Associação Nacional de Proteção e Apoio aos Concursos (Anpac), em 2011, mais de 12 milhões de pessoas prestarão concursos públicos. Em meio a esse número, a boa preparação é o diferencial para se conseguir a aprovação?

WD – Com certeza. Estar bem preparado para prestar concursos não é apenas um diferencial para os candidatos. Nos dias de hoje, pode-se dizer que é uma obrigação. São muito raros os candidatos aprovados na primeira tentativa. A relação candidatos/vaga está cada vez mais concorrida e o candidato bem preparado – emocional e racionalmente – tem grande diferencial frente àquele que não se dedicou ao estudo e à programação correta de sua mente.

Em meu livro Como Passar em Provas e Concursos, além de técnicas de estudo, ensino a desenvolver esse preparo emocional para concursos; afinal, de nada adianta saber todo o conteúdo do edital e não conseguir conter a ansiedade no dia da prova ou controlar o “comichão” do candidato. Independente do número de candidatos, a boa preparação é essencial para o concurseiro conseguir derrotar o maior concorrente que irá enfrentar, ou seja, ele mesmo, e as limitações que acredita ter.

CC – Pesquisas apontam que as mulheres estão cada vez mais ocupando cargos em instituições públicas. Elas de fato estão se preparando mais que os homens?

CD – O que observo, em muitos casos, é que as mulheres são mais motivadas. Muitas querem passar para dar uma vida melhor para seus filhos, melhores escolas e saúde, outras já querem ajudar os pais, tirá-los de um bairro carente/perigoso, comprar uma casa, Ou seja, não é questão de estar se preparando mais ou menos, é uma questão de motivação.

Existe outro ponto importantíssimo em relação à procura do serviço público pelas mulheres. De maneira geral, no funcionalismo público as gratificações são por mérito ou por tempo e independem do gênero do servidor, o que – ainda hoje – acontece em muitas empresas da iniciativa privada são mulheres que desempenham as mesmas funções que homens e têm remuneração inferior. O serviço público também tem atraído muito as mulheres que não se conformam com esse tipo de política ou prática.

CC – Você acredita que os concursos são as melhores formas de selecionar pessoas para trabalhar em instituições públicas?

WD – Acredito. Obviamente, os concursos têm muitas falhas, como tantos outros processos de seleção que existem, mas creio que são uma forma idônea de avaliar o mérito dos candidatos e sua capacidade de fazer provas, ou seja, de estar sob estresse e sendo testados, ao contrário de outras formas de contratação que podem ser muito pessoais.

A visão do serviço público, para muitos, ainda é aquela das repartições nas quais não chegou qualquer desenvolvimento e tecnologia e em que os funcionários atendem de mau humor, quando atendem. Mas, desde que começaram os concursos o cenário vem melhorando. As provas avaliam o mérito dos candidatos e foram reduzidos os apadrinhamentos ou indicações políticas. O concurso não vê a casa ou roupa da pessoa, mas o seu nível de preparo. Porém, é preciso treinamento para que os aprovados, além de competentes – que são – estejam, também, comprometidos com o serviço público.

CC – Dentre as cinco regiões do país, qual delas está em potencial crescimento, e por conseqüência, se torna um polo de empregos no Brasil?

WD A região Sudeste, tradicionalmente, sempre atraiu o maior número de oportunidades de emprego, mas, recentemente, a região Nordeste tem se destacado. Com os programas e iniciativas do governo a região Nordeste tem presenciado muitos avanços no que diz respeito à contratação para empregos públicos (seja no regime celetista – CLT – ou estatutário – RJU).

CC – Em se tratando dos estudantes, quais são os principais erros cometidos pelos concurseiros nos dias de hoje?

WD – Os erros são os mesmos: falta de confiança, técnicas inadequadas de estudo, motivação inadequada (ou inexistente), falta de foco e de planejamento.

A falta de confiança em si e na própria capacidade é um dos principais erros cometidos pelo concurseiro. Não raro, ele envia para sua mente o recado de que não é capaz de aprender ou de passar em concursos e isso acaba tornando-se uma verdade limitadora. Ter confiança em sua preparação e em seu sonho é fundamental. A aprovação nos concursos está ao alcance de todos aqueles que estão dispostos a pagar seu preço, e acreditar que ela é possível é o primeiro passo.

A técnica de estudo utilizada pelo melhor aluno do cursinho, aprovado em primeiro lugar no concurso, pode ter funcionado muito bem para ele, mas estudar igual a ele pode não fazer o mesmo bem para outro concurseiro. Cada um tem um estilo próprio e isso também se aplica à preparação para concursos. Para cada perfil de candidato existe uma técnica adequada de estudo e o que funciona para um primo, amigo, irmão, pode não funcionar para outro. É preciso ter muito cuidado com os exemplos que se segue e com as técnicas que se compra.

A motivação é importantíssima para se passar em concursos, mas existem motivações que não são edificantes e que podem acabar prejudicando. Inveja ou querer provar que se consegue para amigos ou familiares que duvidam são motivações que acabam aumentando a pressão e a ansiedade na hora dos concursos. Procurar as motivações positivas como melhorar de vida, ter mais tempo e segurança para desenvolver seus sonhos e ajudar familiares são exemplos de motivações positivas e que ajudarão o candidato a manter o foco em sua preparação.

É normal identificar falta de foco em duas situações: naquele concurseiro que está tentando todos os concursos e naquele outro que não quer prestar concursos. No primeiro caso é um pouco mais fácil; costumo propor um exercício bem simples, pedindo que imaginem em que função gostariam de se aposentar. Isso é uma forma de estabelecer o plano de ação para a preparação, sem a pressão de parecer “pouco modesto”. Os estudantes que não querem prestar concursos já são um caso mais complicado. Eles erram por estar prestando concurso sem interesse em fazê-lo e, com isso, enganando a si e aos que o apoiam.

A falta de planejamento é, de todos os erros, o mais comum e, talvez, o mais perigoso. Não ter um quadro-horário ou não planejar sua rotina de estudos é extremamente prejudicial e um erro comum entre os concurseiros. Para um bom rendimento é preciso ter bastante claras e definidas as estratégias que se usará para alcançar o sucesso.

CC – Quais dicas de estudo e comportamento você daria para quem está buscando uma vaga no funcionalismo público?

WD – Como disse anteriormente, nenhuma técnica está “escrita na pedra”. É sempre possível modificá-la para melhor atender às suas necessidades. As características pessoais irão moldar as melhores estratégias e os resultados virão quanto mais intimidade tivermos com a técnica. Algumas dicas que costumo dar são: assistir às aulas com todo afinco que puder. Ter um professor para tirar dúvidas e ajudar na explicação de alguns conceitos é uma oportunidade que pouca gente tem, e que, se for o caso, deve aproveitar. Ler livros, códigos, doutrina, súmulas, enfim, todo o material que puder dar suporte ao estudo. Finalmente, fazer resumos para sempre retomar o conteúdo e não deixar nunca de fazer exercícios também são ferramentas essenciais para a aprovação.

Em relação ao comportamento, manter a motivação, ter autodisciplina e ser organizado. Manter-se focado e flexível para eventuais mudanças de plano e ter a consciência de que o projeto que traçou para sua vida é recompensador. Como digo em um dos mantras “a dor é temporária, o cargo é para sempre”.

Outras dicas e técnicas também estão disponíveis no site (www.williamdouglas.com.br) e no blog (blogwilliamdouglas.blogspot.com).

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